O ministro da Saúde, Nelson Teich, foi surpreendido durante entrevista coletiva na segunda-feira (11) ao saber por um jornalista que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) incluiu academias de ginástica, salões de beleza e barbearias na lista de serviços essenciais que podem funcionar durante a pandemia.
"Saiu hoje?", quis saber Teich, ao ser questionado pelo repórter se essa era uma medida que tinha concordância do Ministério da Saúde. A entrevista acontecia quando o decreto foi publicado no Diário Oficial da União.
O ministro aparentou certo desconforto e falou depois que certos pré-requisitos deveriam ser atendidos para não expor as pessoas a riscos. "Você pode trabalhar o retorno de algumas coisas. Agora, tratar isso como essencial é um passo inicial", disse. "Saiu hoje?", perguntou então, interrompendo o que dizia. "Não é atribuição nossa, isso aí é uma decisão do presidente".
Depois de falar com o seu secretário-executivo, general Eduardo Pazuello, Teich minimizou o fato de que não teria sido consultado. Afirmou ainda que sua pasta não vai comentar as áreas incluídas como atividades essenciais.
"O que eu acredito é que qualquer decisão que envolva a definição como essencial ou não, ela passa pela capacidade de fazer isso de uma forma que proteja as pessoas. Mas só pra deixar claro: é uma decisão do ministério da economia, não é nossa", afirmou, dizendo ainda que as decisões podem ser revistas pois há diálogo no governo.
"Questão de higiene"
Mais cedo, Bolsonaro justificou as inclusões afirmando que "saúde é vida" e que cuidar do cabelo é questão de higiene, entre outros comentários.
"Academia é vida. As pessoas vão aumentando o colesterol, têm problemas de estresse. [Com as academias] vão ter uma vida mais saudável", disse. "A questão do cabeleireiro também. Fazer cabelo e unhas é questão de higiene."
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