O ministro Alexandre Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), citou a suspeita de participação do chamado gabinete do ódio no esquema que dissemina notícias falsas e ataca autoridades e instituições. O gabinete do ódio é o nome dado a servidores lotados na Presidência da República que teriam envolvimento com ações do tipo nas redes sociais. Moraes determinou medidas de busca e apreensão contra políticos, empresários e ativistas bolsonaristas nesta quarta-feira (7).
Na decisão que autoriza a ação da Polícia Federal, ele diz que os congressitas teriam ligações com o gabinete do ódio.
“As provas colhidas e os laudos periciais apresentados nestes autos apontam para a real possibilidade de existência de uma associação criminosa, denominada nos depoimentos dos parlamentares como `Gabinete do Ódio’, dedicada a disseminação de notícias falsas, ataques ofensivos a diversas pessoas, às autoridades e às instituições, dentre elas o Supremo Tribunal Federal, com flagrante conteúdo de ódio, subversão da ordem e incentivo à quebra da normalidade institucional e democrática”, escreveu o ministro.
Na decisão, ele cita depoimentos de deputados federais que descreveram o esquema que teria sido usado em campanhas de difamação contra adversários e para avançar pautas antidemocráticas. Heitor Freire (PSL-CE), citado por Moraes, menciona diretamente assessores da Presidência.
“É do conhecimento do depoente que Matheus Sales, Mateus Matos Diniz e Tercio Arnaud Tomaz, todos assessores especiais da Presidência da República, são os integrantes principais do chamado ‘Gabinete do Ódio’, que se especializou em produzir e distribuir fake news contra diversas autoridades, personalidades e até integrantes do Supremo Tribunal Federal”, afirmou o parlamentar em depoimento.
Ele diz ainda que o gabinete controla grande quantidade de páginas de redes sociais que ajudam a disseminar o conteúdo. "Essa organização conta com vários colaborados nos diferentes estados, a grande maioria sendo assessores de parlamentares federais e estaduais".
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