O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sancionou nesta quarta-feira (15/7), com vetos, o projeto que institui o novo marco legal do saneamento básico e facilita a ampliação da participação privada no setor (veja os pontos vetados mais abaixo).
A cerimônia de sanção ocorreu no Palácio do Planalto e contou com a participação de ministros do governo. Bolsonaro participou por videoconferência, do Palácio da Alvorada, residência oficial da presidência. Ele cumpre isolamento social após ter sido diagnosticado com Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, na semana passada.
O novo marco legal determina licitações para contratação de companhias de água e esgoto e fixa como prazo para universalização dos serviços a data de 31 de dezembro de 2033.
Essa universalização será de 99% no caso do fornecimento de água potável e de 90% na coleta e tratamento de esgoto. A data limite poderá ser postergada em mais sete anos “caso se comprove inviabilidade técnica ou financeira”. No caso dos atuais contratos, o projeto prevê mais 30 anos.
Além do prazo para expansão do saneamento, há prazo para lixões a céu aberto sejam extintos até 31 de dezembro deste ano. A data, no entanto, não vale para cidades com plano intermunicipal de resíduos sólidos ou plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos.
Pelo texto, capitais e regiões metropolitanas com planos deverão encerrá-los até 2021. Já cidades com mais de 100 mil habitantes deverão desativá-los até 2022. Municípios entre 50 mil e 100 mil terão prazo até 2021 e cidades com menos de 50 mil, até 2024.
O marco legal do saneamento vem sendo discutido no Congresso Nacional desde 2018, mas a proposta nunca avançava por falta de consenso entre os parlamentares.
O texto foi aprovado pela Câmara dos Deputados em dezembro do ano passado. No Senado, a votação foi concluída no mês passado.
Atualmente, o saneamento é prestado majoritariamente por empresas públicas estaduais. Com o novo marco legal a concorrência tende a crescer.
Com a sanção da proposta, o Ministério da Economia prevê que o projeto movimente mais de R$ 700 bilhões em “vultuosos investimentos e milhares de empregos”. A estimativa é que sejam criados 60 mil postos para cada R$ 1 bilhão investidos no setor.
No total, o presidente Jair Bolsonaro vetou três pontos ao projeto do novo marco legal do saneamento básico. São eles:
Artigo 14, parágrafos 6 e 7: os trechos criavam uma nova regra para indenização de investimentos não amortizados das prestadoras de saneamento. A justificativa para o veto foi os pontos “geram insegurança jurídica por descompasso ao já previsto na Lei nº 8987/95 (Lei de Concessões)”. Além disso, o governo afirmou que, como não é possível, na prática, a distinção da receita proveniente de tarifa direcionada para um ativo, “haveria inviabilidade de pagamento da indenização”;
Artigo 16: o trecho vetado permitia o reconhecimento de situações de fato e a renovação, por mais 30 anos, de ajustes atualmente informais e dos atuais contratos. O governo argumentou que os ajustes “prolongam demasiadamente a situação atual, de forma a postergar soluções para os impactos ambientais e de saúde pública de correntes da falta de saneamento básico e da gestão inadequada da limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos”. A justificava ainda continua ao dizer que o dispositivo foi vetado por estar “em descompasso” com os objetivos do novo marco legal do saneamento básico, “que orientam a celebração de contratos de concessão, mediante prévia licitação, estimulando a competitividade da prestação desses serviços com eficiência e eficácia, o que por sua vez contribui para melhores resultados”;
Artigo 20: o trecho foi vetado integralmente “por quebrar a isonomia entre as atividades de saneamento básico, de forma a impactar negativamente na competição saudável entre os interessados na prestação desses serviços”. O governo ainda justificou que o dispositivo torna “menos atraente os investimentos, em descompasso com a almejada universalização dos serviços, foco do novo marco do saneamento, que busca promover ganhos de qualidade, efetividade e melhor relação custo-benefício para a população atendida”.
O Ministério do Desenvolvimento Regional afirmou que apesar dos pontos vetados, “a decisão final sobre esses vetos cabe ao Parlamento, em absoluto respeito à harmonia e independência entre os Poderes”.
Os vetos presidenciais serão analisados pelos parlamentares, em sessão conjunta do Congresso Nacional ainda sem data. Na ocasião, deputados e senadores vão decidir pela manutenção ou rejeição dos vetos.
Gestão Municipal Pesquisa aponta que gestão de Augusto Castro tem 79,9% de aprovação em Itabuna
Justiça Por ordem de Moraes, PF faz busca por armas na casa de Bolsonaro
Proteção Infantil Senado aprova projeto que aumenta penas para crimes sexuais digitais contra crianças e adolescentes
Justiça Moraes dá 10 dias para PF ouvir Flávio em caso de calúnia contra Lula
EUA x Brasil Flávio pede aos EUA que desistam do tarifaço: “Pior momento possível”
Justiça Exército entrega armas de Bolsonaro à PF e informa falta de duas