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Política em Foco Política

Nunes Marques manda suspender pesquisa com queda de Flávio

Divulgação do levantamento ocorreu em maio, após vazamento de um áudio de uma conversa do senador pedindo dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro.

08/06/2026 19h47
Por: Luana Velloso Fonte: Redação
Foto: Nelson Jr/STF
Foto: Nelson Jr/STF

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, determinou nesta segunda-feira (8) a suspensão da divulgação de uma pesquisa eleitoral realizada pelo AtlasIntel que apontava queda nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do Partido Liberal (PL) à Presidência da República.

A decisão atende a uma representação apresentada pelo PL, que questionou a metodologia utilizada no levantamento. Segundo o partido, parte do questionário poderia influenciar a percepção dos entrevistados ao abordar, em sequência, temas relacionados ao Banco Master e ao vazamento de conversas envolvendo o senador.

Na decisão, Nunes Marques afirmou que existem indícios de possível indução das respostas dos participantes, o que poderia comprometer a neutralidade metodológica da pesquisa. Para o magistrado, os questionamentos apresentados pelo partido justificam a adoção de uma medida cautelar até que a situação seja analisada de forma mais aprofundada.

O ministro também determinou que o instituto apresente documentação técnica complementar para esclarecer os procedimentos adotados durante a elaboração do estudo, incluindo informações sobre recursos utilizados na pesquisa. O Ministério Público Eleitoral deverá se manifestar no processo.

A pesquisa foi realizada entre os dias 13 e 18 de maio, com 5.032 entrevistados em todo o país. O levantamento havia sido divulgado após a repercussão de áudios atribuídos a Flávio Bolsonaro relacionados ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

Em nota, a AtlasIntel informou que respeitará a decisão da Justiça Eleitoral e afirmou que está colaborando com o tribunal para fornecer todas as informações solicitadas. A empresa sustenta que o conteúdo questionado não foi apresentado aos entrevistados durante a aplicação do questionário principal e que os procedimentos adotados seguiram critérios técnicos e científicos.

Segundo o instituto, eventuais avaliações de conteúdo audiovisual ocorreram apenas após o encerramento definitivo das respostas da pesquisa, em ambiente separado e sem possibilidade de alteração das informações já registradas pelos participantes.

A decisão individual será submetida à análise do plenário do Tribunal Superior Eleitoral em sessão prevista para terça-feira (9), quando os demais ministros da Corte poderão confirmar, modificar ou revogar a medida cautelar.

O caso ocorre em meio ao aumento da movimentação pré-eleitoral para as eleições presidenciais de 2026 e amplia o debate sobre os critérios metodológicos adotados por institutos de pesquisa durante o período eleitoral.

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