O debate sobre os altos valores investidos em contratações artísticas para os festejos juninos na Bahia ganhou um posicionamento vindo da liderança municipalista do Estado. nesta terça-feira, 16. Wilson Cardoso (PSB), prefeito de Andaraí e presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), trouxe uma reflexão realista e tradicionalista sobre como as gestões públicas devem encarar o São João.
A discussão ganha força em um cenário onde grandes estrelas da música nacional movimentam cifras astronômicas. O cantor Gusttavo Lima, por exemplo, receberá R$ 1,5 milhão por uma única apresentação em solo baiano neste período junino.
Retorno financeiro
Para o presidente da UPB, o principal critério para o investimento público em festas não deve ser o tamanho da assessoria do artista, mas sim o impacto econômico real na ponta mais fraca da corda: o comércio local e os trabalhadores informais.
"Prefeitos têm que fazer a famosa 'conta de padaria'. O importante é esse retorno vir para melhorar o comércio, gerar boas vendas aos ambulantes, ou seja, ver o comércio crescer. O dinheiro investido pelo município precisa circular internamente, gerando emprego, renda e aquecendo a economia das cidades do interior que passam o ano inteiro esperando pelo faturamento de junho", afirmou Cardoso.
São João raiz
Além da questão financeira, Wilson Cardoso tocou em um ponto que divide opiniões entre foliões e gestores: a descaracterização cultural da maior festa do Nordeste. O prefeito defendeu que o São João preserve a sua essência e dê protagonismo aos artistas locais.
​São João tem que ser raiz e valorizar os artistas pé de serra
Wilson Cardoso, presidente da UPB
Cardoso esclareceu que não é contra os artistas de cachês altos, mas questionou o palco escolhido para eles.
"As pessoas querem dançar forró, ouvir um bom sanfoneiro, tomar o licozinho. Artistas famosos têm festas que são direcionadas para eles, porém o São João não deveria ser."
Consenso
De acordo com o presidente da UPB, essa visão pragmática e cultural já é amplamente compartilhada pela maioria absoluta dos gestores baianos.
Cerca de 98% dos municípios do estado já entenderam essa dinâmica, priorizando programações que equilibram a saúde financeira das prefeituras com a valorização do autêntico forró.
Demanda turística
O secretário de Turismo da Bahia, Mauricio Bacelar, disse que o Estado tem dado exemplo para o Brasil no comedimento das contratações de artistas.
"Nós tivemos a adesão de mais de 90% dos artistas do país todo. O nosso exemplo está sendo copiado por todos os estados. Nós vamos fazer a maior e melhor festa de São João do país, mas respeitando os limites dos orçamentos estadual e municipal", disse.
E emendou:
"Fomos no Ministério do Planejamento, no Ministério do Turismo e prontamente, por uma ação do governador Jerônimo Rodrigues e do presidente Lula, os recursos da Bahia foram liberados. A festa está garantida em todas as 13 zonas turísticas da Bahia", completou.
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