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Quando o Brasil nos faz caminhar de cabeça erguida

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03/08/2026 09h55
Por: Keila Abreu Fonte: Lizandra Monteiro
Reprodução/Desconhecida/Quinto Andar
Reprodução/Desconhecida/Quinto Andar

Viajar sempre me ensinou que as cidades contam histórias. Algumas em voz alta, outras em sussurros. Mas, desta vez, não precisei atravessar um oceano para viver uma daquelas experiências que ficam guardadas na memória, ou melhor, no coração! Hospedada em uma das capitais mais relevantes do país, resolvi fazer o que considero uma das formas mais genuínas de conhecer um destino: caminhar, ou melhor, flanar. Saí sem pressa, cruzei a porta do hotel e entrei pela rua em direção ao Centro Histórico, percorri as ruas de pedra, entrei em igrejas e  museus, passei por edifícios históricos que hoje renascem com novos usos, novas propostas e uma nova vida.

O que encontrei foi muito mais do que fachadas restauradas. Encontrei uma cidade que voltou a acreditar em si mesma. É impossível não se emocionar ao perceber que estou falando da primeira capital do Brasil. O lugar onde tantos capítulos da nossa história começaram. Durante muito tempo, infelizmente, muitos brasileiros aprenderam a enxergar os centros históricos apenas como espaços degradados, inseguros ou esquecidos, afinal eles acabaram se tornando os tais. Mas Salvador mostra que esse destino não precisa ser definitivo.

A revitalização do seu centro histórico não representa apenas um investimento em patrimônio. Ela resgata identidade, fortalece a autoestima de quem vive ali e transforma completamente a experiência de quem a visita. Pela primeira vez em muito tempo, senti o prazer de caminhar livremente pelo coração de uma grande capital brasileira, observando detalhes, entrando em prédios históricos, admirando a arquitetura e percebendo a cidade viva ao meu redor.

E então nesse momento é inevitável fazer uma comparação: Acredito que quando viajamos para Paris, Roma, Lisboa ou tantas outras cidades históricas pelo mundo, admiramos justamente aquilo que elas preservaram: suas origens. Valorizamos cada rua de pedra, cada edifício centenário, cada praça carregada de memória. Fazemos milhares de fotografias, ouvimos histórias, voltamos encantados.
Por que, então, tantas vezes esquecemos de fazer o mesmo em nosso próprio país?

O Brasil possui um patrimônio histórico extraordinário. Talvez o que ainda nos falte seja compreender que preservar nossa história não é olhar para o passado com nostalgia. É construir futuro. É gerar turismo, movimentar a economia, criar empregos, fortalecer o comércio, incentivar a cultura e devolver orgulho aos moradores. Salvador demonstra que isso é possível.

Sim, é muito importante ressaltar que parece ser o início de um grande processo de revitalização do centro histórico em Salvador, mas mais do que um exemplo para a Bahia, ela se torna inspiração para outras capitais brasileiras. São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Belém e tantas cidades que possuem centros históricos riquíssimos também podem viver processos semelhantes, e eu torço muito para que isso aconteça. Cada uma respeitando sua identidade ou melhor, sua autenticidade, mas todas compreendendo que cidades não sobrevivem apenas de novos prédios. Elas também precisam cuidar das suas raízes.

Porque um povo que conhece sua história valoriza seu presente e constrói um futuro mais sólido.Saí daquele passeio feliz. Feliz por perceber que o Brasil pode, sim, oferecer experiências tão marcantes quanto aquelas que buscamos fora de casa. Feliz por ver que nosso patrimônio pode voltar a ser protagonista. E, principalmente, feliz por acreditar que, quando preservamos nossas origens, não estamos apenas restaurando edifícios.Estamos restaurando o orgulho de sermos brasileiros. Porque o orgulho de ser baiana de coração, ah esse me encheu até explodir, isso sim! 

Nos vemos ainda mais orgulhosas no próximo mês!

Lizandra Cruz Monteiro

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Lizandra Monteiro
Sobre Lizandra Monteiro
É formada em Turismo com foco em hotelaria, especialista em Gestão de Negócios. Atualmente é consultora especializada em empresas de hospitalidade e reside em Imbassai. Escreve uma vez por mês.