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Geral Mudança Climática

Bahia enviará alertas sobre El Niño aos 417 municípios; calor pode superar 41°C

Mensagens preventivas serão encaminhadas pelo WhatsApp para orientar a população sobre calor intenso, baixa umidade do ar e risco de incêndios florestais.

11/10/2026 10h50 Atualizada há 1 minuto atrás
Por: Luana Velloso Fonte: Redação
Foto: Mateus Pereira/GOVBA
Foto: Mateus Pereira/GOVBA

A Bahia vai enviar alertas preventivos pelo WhatsApp à população dos 417 municípios do estado diante dos possíveis efeitos do El Niño. A iniciativa, realizada por meio do portal ba.gov.br, busca orientar os cidadãos sobre os riscos do calor intenso, da baixa umidade do ar e dos incêndios florestais. A ação reúne a Superintendência de Proteção e Defesa Civil (Sudec), a Secretaria do Meio Ambiente (Sema), por meio do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), e a Secretaria de Comunicação Social (Secom).

Para organizar o envio das mensagens, os municípios foram divididos em três níveis de prioridade: 142 cidades na primeira faixa, 150 na segunda e 125 na terceira. A classificação considera as prioridades identificadas pelos órgãos envolvidos e busca assegurar a abrangência da comunicação em todo o território estadual, com atenção diferenciada às localidades mais expostas aos efeitos das condições climáticas.

O alerta ocorre em um cenário de calor intenso, baixa umidade e pouca possibilidade de chuva em grande parte da Bahia. De acordo com previsão divulgada pelo Inema em 8 de outubro, as temperaturas máximas podem ultrapassar 41°C em algumas localidades do centro-oeste baiano, enquanto a umidade relativa do ar pode ficar abaixo de 15%. Essas condições aumentam o risco de incêndios florestais e de problemas de saúde associados ao calor excessivo e ao ar seco.

Na previsão meteorológica divulgada pelo instituto, o tempo predominantemente seco deveria marcar grande parte do estado entre os dias 10 e 15 de outubro. Para esse período, havia possibilidade de chuvas rápidas e isoladas em áreas do centro-leste, sem expectativa de volumes significativos. As temperaturas também deveriam permanecer elevadas, prolongando as condições de atenção em diferentes regiões baianas.

A perspectiva para a segunda metade do mês apresenta diferenças regionais. A partir de 17 de outubro, a previsão indicava possibilidade de chuva em áreas da metade sul e do oeste da Bahia. Entre os dias 15 e 20, também havia tendência de aumento da instabilidade no centro-oeste, com possibilidade de volumes mais expressivos no oeste, enquanto o centro-leste poderia continuar registrando precipitações fracas e isoladas. A ocorrência de chuva, portanto, não representava uma mudança uniforme das condições meteorológicas em todo o estado.

O cenário está relacionado tanto à influência do El Niño quanto à transição entre os regimes de chuva nas diferentes regiões baianas. Segundo Aldírio Almeida, meteorologista e coordenador de Estudos de Clima e Projetos Especiais do Inema, o período entre setembro e novembro marca o fim das chuvas mais frequentes no setor leste e o início da estação chuvosa no centro-sul e no oeste. Essa transição favorece variações nas condições atmosféricas entre as regiões do estado.

A previsão climática para o trimestre também aponta maior probabilidade de volumes de chuva abaixo da média histórica no centro-sul baiano. No centro-norte e no nordeste do estado, o período corresponde à estação seca climatológica, com menor expectativa de precipitações. Ao mesmo tempo, as condições do Atlântico Tropical podem favorecer chuvas em partes do Nordeste, incluindo a Bahia, especialmente à medida que a estação chuvosa avança em determinadas áreas.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial e interfere nos padrões de circulação atmosférica, influenciando a distribuição das chuvas e das temperaturas. No Brasil, os impactos variam conforme a região. Segundo boletim divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) em 30 de setembro, havia 95% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte no trimestre de outubro a dezembro de 2026, entre a primavera e o verão. A projeção indicava a possibilidade de o evento se tornar o mais intenso desde 1950 e de persistir pelo menos até o primeiro trimestre de 2027.

O mesmo boletim apontou tendências de seca e aumento do risco de incêndios na faixa centro-norte do país, enquanto a Região Sul poderia registrar chuvas acima da média e risco de cheias. As temperaturas também tinham previsão de permanecer acima da faixa normal em grande parte do território nacional. O Inmet ressalta, porém, que essas tendências são sazonais e que os impactos locais dependem da evolução das condições meteorológicas.

Diante da combinação de temperaturas elevadas e baixa umidade, o Inema recomenda aumentar a ingestão de líquidos, evitar atividades físicas e a exposição direta ao sol nas horas mais quentes do dia, utilizar hidratante para a pele e manter os ambientes umidificados sempre que possível. O instituto também orienta a população a acompanhar as atualizações das previsões meteorológicas, uma vez que as condições podem variar entre as regiões.

Em situações extremas ou diante de ocorrências relacionadas ao tempo, a população pode buscar orientação junto à Defesa Civil, pelo telefone 199; ao Corpo de Bombeiros, pelo 193; e ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo 192. Os alertas estaduais têm caráter preventivo e buscam ampliar o acesso a informações sobre os riscos climáticos e os cuidados necessários para reduzir os efeitos do calor intenso, do ar seco e dos incêndios florestais.

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