A Justiça absolveu Thierry Lima da Silva, acusado de matar três mulheres em Ilhéus, no sul da Bahia, em agosto de 2025. A decisão, fundamentada na insuficiência de provas para comprovar a autoria dos crimes, foi proferida em 8 de outubro. O Ministério Público da Bahia (MP-BA), responsável pela denúncia, recorreu cinco dias depois. O homem havia confessado à Polícia Civil que participou das mortes, mas os exames periciais não identificaram material genético dele nas vítimas nem nas três facas apreendidas durante a investigação.
A informação sobre a absolvição foi confirmada à TV Santa Cruz, afiliada da Rede Bahia, na terça-feira (3). O caso ainda não tem data definida para uma nova audiência. A Defensoria Pública do Estado da Bahia (DPE), responsável pela defesa de Thierry, foi procurada pelo g1, mas não havia se manifestado até a publicação da reportagem.
Alexsandra Oliveira Suzart, de 45 anos, Maria Helena do Nascimento Bastos, de 41, e Mariana Bastos da Silva, de 20, foram encontradas mortas em 16 de agosto de 2025, em uma área de mata próxima à Praia dos Milionários, em Ilhéus. As três apresentavam ferimentos provocados por golpes de faca e estavam desaparecidas desde o dia anterior.
Apesar da absolvição no processo referente às mortes das mulheres, Thierry permanece preso no Conjunto Penal de Itabuna. Isso ocorre porque há contra ele outro mandado de prisão preventiva, relacionado à morte de seu companheiro, Lucas dos Santos Nascimento, após uma briga motivada por ciúmes. Segundo informações divulgadas à época, o acusado relatou ter espancado o companheiro, que morreu depois de permanecer internado.
Thierry foi preso em 25 de agosto de 2025, inicialmente por suspeita de tráfico de drogas. Durante o depoimento à polícia, afirmou que agiu sozinho e esfaqueou as três mulheres durante uma tentativa de assalto. Na audiência de custódia, também admitiu participação no triplo crime e relatou a morte do companheiro.
A investigação sobre as mortes das mulheres durou cerca de quatro meses, após a Polícia Civil solicitar duas prorrogações do prazo. O inquérito foi concluído em dezembro de 2025 e, em janeiro de 2026, o Ministério Público apresentou denúncia, posteriormente aceita pela Justiça. A Polícia Civil informou, na ocasião, que o indiciamento foi fundamentado em diligências de campo, análise de imagens de câmeras de segurança, exames periciais, depoimentos de familiares e testemunhas e outros elementos reunidos durante a apuração.
A decisão absolutória considerou que as provas apresentadas não eram suficientes para estabelecer a participação de Thierry nos assassinatos. Entre os elementos destacados estão os resultados dos exames do Departamento de Polícia Técnica (DPT), que não identificaram material genético do acusado nas unhas e nas partes íntimas das vítimas. Também não foi encontrado DNA dele ou das mulheres nas três facas apreendidas após o crime.
A ausência desses vestígios, por si só, não comprova que o acusado não participou das mortes. No entanto, foi considerada na avaliação da insuficiência do conjunto probatório para sustentar uma condenação. O Ministério Público, que recorreu da sentença, busca a revisão da decisão pela instância superior.
As três mulheres desapareceram em 15 de agosto de 2025, quando saíram para caminhar na Praia dos Milionários com o cachorro de estimação de Mariana. Alexsandra e Maria Helena eram amigas, vizinhas e trabalhavam em unidades de ensino da rede municipal. Mariana, filha de Maria Helena, cursava Engenharia Ambiental. As três moravam em condomínios situados a aproximadamente 200 metros da praia.
Câmeras de segurança instaladas em barracas da região registraram parte do passeio. Nas imagens, as mulheres aparecem caminhando lado a lado pela areia, enquanto Mariana segura a coleira do cachorro. Em determinado momento, elas cruzam com duas pessoas que também se exercitavam no local e seguem caminhando. Depois disso, não foram mais vistas. Os corpos foram encontrados no dia seguinte, em uma área de mata próxima à praia.
Cerca de 700 vídeos da região foram analisados pelo Instituto de Criminalística Afrânio Peixoto, do Departamento de Polícia Técnica, em Salvador. O trabalho teve como objetivo reconstruir o contexto do crime e identificar a dinâmica da ação. Apesar da análise das imagens e das demais diligências, não foram encontrados registros do local exato onde os corpos foram deixados.
As mortes provocaram comoção em Ilhéus e motivaram pelo menos três manifestações públicas com pedidos de justiça. Os atos foram pacíficos e contaram com a presença de policiais militares. Alexsandra e Maria Helena eram professoras da rede municipal, enquanto Mariana era estudante universitária. O caso teve repercussão na cidade e em outras regiões da Bahia.
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