O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (4), manter a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, em 13,75% ao ano. A decisão, tomada por unanimidade, interrompe a sequência de cinco cortes consecutivos iniciada em março de 2026.
Na avaliação dos integrantes do comitê, houve deterioração das condições econômicas desde a última reunião, realizada em 16 de setembro, tanto no cenário internacional quanto no doméstico. Entre os fatores externos, foram citados o prolongamento da guerra no Oriente Médio, a elevação dos preços do petróleo e a adoção de políticas monetárias mais restritivas por economias avançadas.
O Copom destacou que esse contexto aumenta a volatilidade dos preços de ativos e commodities, exigindo cautela dos países emergentes. No Brasil, embora a atividade econômica apresente sinais de moderação, o mercado de trabalho continua resiliente. Em contrapartida, as expectativas de inflação se distanciaram ainda mais da meta estabelecida.
Segundo o comunicado, as projeções do mercado financeiro para a inflação, apuradas pelo Boletim Focus, chegaram a 5,2% para 2026 e 4,8% para 2027. O comitê também ressaltou que permanece atento à condução da política fiscal brasileira, diante das incertezas sobre o cenário econômico.
A decisão não apresentou indicações sobre os próximos passos da política monetária. A próxima reunião do Copom está prevista para os dias 8 e 9 de dezembro, quando o colegiado voltará a avaliar a possibilidade de manter, reduzir ou elevar os juros.
Antes do início do ciclo de cortes, em março, a Selic permaneceu em 15% ao ano durante cinco reuniões consecutivas. A manutenção em 13,75% já era amplamente esperada pelo mercado financeiro.
A taxa básica de juros é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Quando os juros sobem ou permanecem elevados, o crédito tende a ficar mais caro, reduzindo o consumo e os investimentos. Esse movimento pode desacelerar a atividade econômica e contribuir para conter a alta dos preços. Por outro lado, a redução da Selic tende a baratear o crédito e estimular a economia.
Expectativas para os próximos anos
De acordo com as projeções do mercado financeiro, a Selic deverá encerrar 2027 em 11,75% ao ano. Para 2028 e 2029, a estimativa é de 10% ao ano.
O calendário do Banco Central prevê ainda uma reunião do Copom em 8 e 9 de dezembro de 2026. Para 2027, estão programados encontros em janeiro (27 e 28), março (17 e 18), abril (28 e 29), junho (16 e 17), agosto (4 e 5), setembro (15 e 16) e novembro (3 e 4), além da reunião de dezembro.
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